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Mães Que Lutam Em Silêncio

COLUNA LARES & LEIS

Publicada em 12/05/26 às 13:58h - 81 visualizações

por Dra. Cláudia Lima


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 (Foto: Divulgação)
No último domingo, comemoramos o Dia das Mães, uma data marcada por flores, abraços, almoços em família, mensagens bonitas e fotografias que tentam eternizar o amor.
Mas, enquanto muitas mães recebiam homenagens, outras atravessavam esse dia tentando apenas respirar, segurando o medo, o cansaço e a dor de uma rotina que quase ninguém vê.
Existe uma maternidade silenciosa, que acorda antes das seis da manhã, prepara o café, arruma a lancheira, separa o uniforme, leva o filho para a escola, corre para o trabalho, enfrenta cobranças, volta para casa, ajuda na lição, prepara a comida, organiza o banho, coloca a criança para dormir e, quando tudo finalmente silencia, ainda precisa pensar nos boletos, nos documentos, no processo, na próxima audiência, na próxima acusação.
Muitas mães se deitam depois da meia-noite e, antes mesmo de o corpo descansar, o despertador toca outra vez, porque no dia seguinte tudo recomeça.
São mulheres que sustentam a casa, educam os filhos, trabalham, cuidam, acolhem, protegem e, mesmo exaustas, seguem tentando oferecer o melhor que podem, muitas vezes sem que ninguém pergunte como elas estão.
E, como se toda essa sobrecarga já não fosse suficiente, muitas ainda carregam uma dor ainda mais cruel, a dor de serem acusadas.
Acusadas de alienação parental quando, na verdade, estão tentando proteger seus filhos, acusadas de dificultar convivência quando estão preocupadas com a segurança e rotina da criança, acusadas de exagero quando demonstram medo, acusadas de vingança quando pedem proteção, acusadas de manipular quando, muitas vezes, estão apenas tentando sobreviver.
Há mães que não estão apenas criando seus filhos, estão também se defendendo de ataques, juntando provas, respondendo processos, comparecendo a audiências, revivendo dores e tendo que explicar, repetidas vezes, que proteger não é alienar.
A violência doméstica nem sempre termina quando o relacionamento acaba, muitas vezes ela apenas muda de forma, sai da casa e entra nos processos, sai da agressão direta e aparece nas acusações, nas intimidações, nos pedidos judiciais usados como forma de controle e nas tentativas de desqualificar a mãe perante a Justiça.
Por isso, é preciso cuidado.
Nem toda mãe que impõe limites está praticando alienação parental, nem toda mãe que tem medo está mentindo, nem toda mãe que pede cautela quer afastar o filho do pai, muitas vezes essa mãe conhece uma realidade que não aparece nas fotografias, nas falas bonitas ou nas versões bem construídas dentro de um processo.
Filho não pode ser usado como instrumento de vingança, filho não pode ser recado, filho não pode ser arma, filho também sofre quando cresce no meio do medo, da ameaça, da manipulação e da instabilidade.
Falar sobre maternidade também é falar sobre proteção, é olhar para a mãe que sorriu no Dia das Mães, mas chorou sozinha depois, para a mãe que preparou o almoço, mas estava com medo da próxima intimação, para a mãe que abraçou o filho, mas carrega a angústia de ter que provar que seu cuidado não é estratégia, é amor.
Essas mães também merecem flores, mas merecem, acima de tudo, respeito, escuta, acolhimento e uma Justiça que compreenda que, em contextos de violência doméstica, proteger uma criança não pode ser confundido automaticamente com impedir convivência.
Há mães que não querem guerra, querem paz, não querem vencer ninguém, querem apenas dormir uma noite inteira sem medo, trabalhar sem angústia, criar seus filhos com dignidade e viver sem precisar provar o tempo todo que são boas mães.
Mãe cansa, mãe chora, mãe desaba, mãe sente medo, mãe também precisa de colo, e ainda assim, muitas continuam, porque sabem que seus filhos dependem delas, porque se elas pararem, talvez ninguém mais lute.
Depois do Dia das Mães, que a sociedade não guarde apenas as flores, que guarde também a responsabilidade de olhar para essas mulheres com mais humanidade.
Porque algumas mães não precisam apenas de homenagem, precisam de proteção.
Dra. Cláudia Lima
Advogada Especialista em Direito das Famílias e Violência Doméstica



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