

COLUNA LARES E LEIS
No dia 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher. É uma data marcada por homenagens, flores, mensagens bonitas e reconhecimento. Mas também precisa ser, acima de tudo, um dia de reflexão. Porque falar de mulheres é falar de dignidade, de direitos e de liberdade. É falar sobre o direito de existir sem medo. A mulher precisa ser preservada na sua essência, na sua dignidade e na sua autonomia. Isso significa reconhecer algo fundamental: nenhuma mulher é propriedade de alguém. A mulher tem o direito de dizer não. Não quando não quer mais permanecer em um relacionamento. Não quando não deseja continuar em um ambiente que a machuca. Não quando percebe que o amor deixou de ser cuidado e passou a ser controle. E, acima de tudo, toda mulher tem o direito de permanecer viva e viver sem violência. Infelizmente, a realidade ainda mostra que muitos relacionamentos que começam com promessas de amor terminam em histórias de sofrimento. E o mais importante de se compreender é que o feminicídio nunca acontece de forma repentina.
Antes do ato extremo, existem sinais.
Sinais que muitas vezes são silenciosos, mas que revelam que algo não está saudável naquela relação.
A violência doméstica raramente começa com agressão física. Ela costuma surgir de forma sutil, muitas vezes disfarçada de cuidado, de ciúme ou de proteção.
Por isso, compreender esses sinais é essencial.
Alguns comportamentos devem servir como alerta:
• controle excessivo sobre roupas, amizades ou rotina;
• ciúme constante e acusações sem fundamento;
• desvalorização, humilhações ou críticas frequentes;
• isolamento da mulher da família e dos amigos, ameaças, intimidação ou chantagem emocional.
Esses comportamentos fazem parte do que especialistas chamam de Violentrômetro, uma escala que demonstra como a violência pode começar de forma aparentemente “pequena” e evoluir para situações extremamente graves.
No início aparecem atitudes como controle, manipulação e desrespeito. Depois surgem ameaças, agressões psicológicas e violência física.
Quando esses sinais são ignorados ou normalizados, o risco aumenta.
Por isso, informação salva vidas.
Quando uma mulher compreende que determinadas atitudes não são demonstrações de amor, mas sim formas de violência, ela passa a ter mais condições de buscar ajuda, romper o ciclo e se proteger.
Nenhuma mulher deve se sentir culpada por reconhecer que precisa sair de um relacionamento abusivo.
Romper não é fraqueza.
Romper é, muitas vezes, um ato de sobrevivência.
Neste Dia Internacional da Mulher, mais do que celebrar conquistas, precisamos reafirmar um compromisso coletivo: o de construir uma sociedade onde mulheres possam viver com respeito, segurança e liberdade.
Que possamos lembrar sempre que o amor nunca pode ser confundido com dor, controle ou medo.
E que toda mulher saiba que tem o direito de dizer não, de recomeçar quantas vezes forem necessárias e, principalmente, de viver uma vida livre de violência.
Cláudia Lima
Advogada Especialista em Direito das Famílias e Violência Doméstica